Workshop para os alunos do Programa Guri

Música, tecnologia e criatividade

Em diversos polos do Programa Guri encontramos alunos com excelente aproveitamento nos cursos de instrumento/canto mas que possuem pouca ou nenhuma experiência em atividades criativas de improvisação, além de pouco (ou nenhum) contato com música contemporânea. Pensando nestes alunos propuz à equipe pedagógica do Programa a realização de 1 (um) workshop para prática de improvisação livre com suporte tecnológico onde os alunos puderam experimentar atividades criativas coletivas, além de realizar um primeiro contato com as possibilidades de criação e manipulação sonora com o auxílio de computadores.

No dia 22 de outubro de 2014 foi realizado o workshop intitulado Música, Tecnologia e Criatividade para os alunos do Programa Guri do polo Penha (São Paulo/SP). Esta atividade, conduzida por mim e pelo professor Bruno Hernandes, teve duas horas de duração e incluiu uma pequena apresentação sobre processos criativos e organização na improvisação, além da relação entre música e tecnologia nos séculos XX e XXI.

Neste encontro os alunos improvisaram enquanto os sons de seus instrumentos eram manipulados em tempo real utilizando o software Pure Data.

Muito se fala hoje em desenvolvimento criativo e sobre o papel da música no desenvolvimento humano e, para a grande maioria dos pensadores do ensino musical (incluindo Swanwick, Dalcroze, Gainza, Willems e Kodály, entre outros), a improvisação é parte fundamental do ensino musical. Em ambiente de ensino coletivo, as atividades de improvisação são deixadas em segundo plano, atrasando o aprendizado ou mesmo prejudicando a criação da relação de intimidade com o instrumento.

Diversos alunos relataram que viam a improvisação como algo inatingível, muito difícil ou destinado apenas a grandes mestres. É pensamento comum a todos os educadores citados anteriormente que a improvisação deve ser estimulada desde cedo nos alunos de música e, além do crescimento criativo, aumenta a intimidade do instrumentista com o instrumento (e seu corpo), estimula a audição crítica, incentiva a pró-atividade e, no caso de improvisações coletivas, incentiva o trabalho em equipe.

A inclusão digital também é tópico em pauta no Brasil e alvo de diversos programas governamentais. Relacionar o contato com o computador e de outras tecnologias com a criação musical insere sentido a esta inclusão, adicionando um resultado criativo à exploração destes dispositivos. Com a utilização do computador na performance musical expandimos as possibilidades criativas, gerando material sonoro que não poderia ser obtido de outra forma.

O retorno desta apresentação foi extremamente positivo conforme podemos observar na avaliação da atividade, realizada em forma de questionário pelos próprios alunos e compilada neste documento.